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por Portal Brasil

Eliane Lage

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Eliane Lage Perfil

 

Professora, atriz, antiquaria, tradutora, vendedora de enciclopédia (na época das vacas magras, como conta com bom humor), sitiante e fazendeira. As diferentes funções desempenhadas ao longo da vida de Eliane Lage traduzem a personalidade forte e dinâmica de uma mulher conhecida publicamente por uma profissão que ela, na verdade, nunca almejou. Eleita Rainha do Cinema Brasileiro de 1952, a musa estrelou filmes que renderam ao Brasil prêmios internacionais, numa época em que a produção nacional foi alavancada pela criação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

Filha de uma importante família do Rio de Janeiro, Eliane Margaret Elisabeth Lage nasceu em Paris, no dia 16 de julho de 1928. Ainda criança, foi trazida para o Brasil pelo pai e a mãe ficou na Inglaterra. Após uma infância e adolescência solitárias, vividas em colégios internos do Rio de Janeiro e na Suíça, Eliane volta com a mãe para Inglaterra, matricula-se em um curso dedicado a cuidados de crianças pequenas e recém-nascidas. Logo depois, junto à mãe e o padrasto, que era cônsul, se mudou para a Grécia, país que se encontrava em Guerra Civil. Durante o período, se dedicou a crianças vítimas do conflito. De volta ao Brasil, em 1949, manteve as atividades, desta vez no morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. Para manter o sustento, Eliane dava aulas de inglês em um colégio da capital.

Carreira de atriz

Eliane Lage - Perfil

Em 1950, a história de vida da jovem, que gostava de crianças e cujo sonho era viver no campo, em meio à natureza, iria tomar um rumo até então impensado. Em um almoço na fazenda do casal Yolanda e Ciccillo Matarazzo, oferecido aos profissionais contratados pela recém-criada Companhia Cinematográfica Vera Cruz, Eliane conhece o diretor anglo-argentino Tom Payne. O amor à primeira vista, como ela mesma definiu, levou a um convite inusitado. O cinema nacional não tinha grande oferta de atores e atrizes profissionais e a equipe estava à procura de uma protagonista para o filme “Caiçara”. A busca chegou ao fim naquele dia. Ao conhecer a bela jovem, o diretor não teve dúvida. Ali estava sua grande estrela, a mulher com quem se casaria e cujos filmes dirigiria na Vera Cruz. Eliane, que não tinha envolvimento com cinema e que preferia o anonimato à vida de glamour, fez os testes e aceitou o desafio para estar perto do seu grande amor.

A falta de experiência em atuação foi compensada pela sintonia entre atriz e diretor. Tom Payne foi assistente do diretor Adolfo Celi em “Caiçara” e depois ele próprio dirigiu Eliane em Sinhá Moça e nos outros dois filmes em que ela atuou pela companhia, “Ângela” (1951) e “Terra é sempre terra” (1952).

Sinhá Moça teve grande repercussão e foi assistido em primeira mão pelo presidente da República à época, Getúlio Vargas. Ele mandou organizar uma sessão no Palácio do Catete e convidou os profissionais envolvidos no projeto. O filme concorreu no Festival de Veneza e ganhou o Leão de Bronze. Em Berlim, foi premiado com o Urso de Prata. A película levou também o  O.C.I.C (Office Catholique International du Cinema), premiação anual do Vaticano para o filme de maior valor humano.

A carreira de atriz, que começou de forma inusitada e a “contragosto”, como lembra Eliane, também foi encerrada sem que houvesse planos nem despedidas. A situação financeira da Vera Cruz foi se tornando cada ano mais insustentável até que, em 1954, as ações foram vendidas para o Banco do Estado de São Paulo. Grávida da primeira filha, Vivien, Eliane encarou a situação com sensação de alívio, apesar de lamentar pelos colegas e profissionais responsáveis pelos belos anos do cinema brasileiro. A estrela da Vera Cruz estava impedida de ter filhos enquanto durasse o contrato. Portanto, com as dificuldades financeiras da companhia, Eliane ficou livre de compromissos profissionais para assumir um novo papel, desta vez muito desejado: o de mãe.

Eliane ainda faria o filme “Ravina”, em 1959, dirigido por Rubens Biáfora, o último de sua carreira. Depois se mudou para o Guarujá com a família, onde abriu um antiquário. Desgastado, seu relacionamento com Tom Payne termina e Eliane toma novos rumos. Vai morar em Petrópolis (região serrana do Rio de Janeiro), passa uma temporada em Olinda, torna-se fazendeira na cidade de Pirenópolis (GO), em 1997, trabalhando para criar os três filhos Vivien, Vanessa e Thomas. Em 1989 morre Tom Payne, no Guarujá. Em 2002, Eliane volta a viver no interior de Goiás, na cidade onde vira o mais belo pôr-do-sol da sua vida. Em Pirenópolis, a ilustre moradora, cuja carreira é desconhecida pela maioria dos cidadãos, vive do jeito que gosta, de maneira simples, cercada pela natureza.

Crédito da foto: Acervo Eliane Lage